Wi-Fi da Alma - Edição #004

Você é uma boa companhia para si mesmo?

O que acontece quando estamos sozinhos e não conseguimos simplesmente ficar com nós mesmos?

Você já parou para pensar se gosta da sua própria companhia?

Não estou falando de sair para jantar sozinho, viajar sem companhia ou passar um fim de semana sem ninguém por perto.

Estou falando daqueles momentos em que não tem ninguém olhando, ninguém pedindo nada, nenhuma tarefa urgente para resolver. Só você. 

O que você faz nesses momentos? Pega o celular? Abre uma rede social? Assiste a um vídeo, confere as notícias ou descobre o que as outras pessoas estão fazendo?

Eu faço isso também e, às vezes, fico pensando no que estamos procurando quando fazemos isso. Será que estamos mesmo querendo ver alguma coisa ou apenas tentando preencher aquele espaço que aparece quando não temos mais nada para fazer?

Você + você = ?

Quando a vida dos outros parece mais interessante que a nossa

Você abre as redes sociais e começa a ver a vida acontecendo. Alguém está viajando pela Europa. Outra pessoa acabou de comprar uma casa. Uma conhecida aparece em um restaurante maravilhoso. Tem gente treinando, emagrecendo, empreendendo, conquistando coisas, vivendo momentos incríveis com a família.

E você está ali, deitado no sofá, de pijama, cansado de mais um dia que parece ter sido igual a tantos outros. Não demora muito para começar a comparação: Por que a minha vida não é assim? Por que eu não consigo fazer isso? O que estou fazendo de errado?

É curioso como podemos pegar alguns minutos da vida de outra pessoa, apresentados da maneira que ela escolheu mostrar, e usá-los para avaliar a nossa vida inteira.

E nem precisamos estar insatisfeitos com a nossa realidade para que isso aconteça. Às vezes, estamos bem. Mas, depois de algum tempo rolando a tela, parece que falta alguma coisa.

A vida que estava acontecendo ao nosso redor perde um pouco do brilho diante daquela sucessão de imagens, viagens, conquistas e momentos aparentemente perfeitos. A sensação é de que não existem mais casas desarrumadas, pia com louça, roupas para dobrar ou arroz com ovo no jantar.

E eu me pergunto: será que, nesses momentos, estamos sendo uma boa companhia para nós mesmos? Não acho que precisamos abandonar as redes sociais, deixar de acompanhar pessoas ou fingir que não sentimos inveja, desejo ou frustração.

Somos humanos. É natural olhar para a vida dos outros e desejar algumas coisas para a nossa. Mas existe uma diferença entre encontrar inspiração na vida de alguém e usar aquela vida como medida para a nossa.

E acredito que valha a pena prestar atenção em como nos sentimos depois de passar alguns minutos nas redes sociais. Estamos mais leves? Tivemos uma ideia interessante? Encontramos algo que nos fez bem?

Ou saímos com a sensação de que está sempre faltando alguma coisa?

A noite em que eu resolvi realmente descansar

Era sábado, tomei banho, jantei e deixei meu marido e meu filho na sala. Fui para o meu quarto e, naquele momento, eu tinha algumas opções.

Poderia assistir a um filme sozinha, talvez aproveitar para ver alguma coisa que gosto e que nem sempre consigo assistir com eles, poderia ler um livro, trabalhar um pouco ou pegar o celular e rolar algumas telas, como tantas vezes fazemos quando finalmente temos alguns minutos só nossos.

Mas, naquela noite, acabei fazendo outra coisa: fiquei no escuro, deitada na cama, ouvindo os dois conversarem na sala.

Não estava assistindo a nada, não estava lendo, não estava respondendo mensagens. Não estava tentando aproveitar o tempo para resolver algo.

Fiquei ali, ouvindo as vozes deles, até pegar no sono e foi incrível.

Não aconteceu nada extraordinário. Não descobri uma técnica nova para dormir, não fiz um exercício de meditação, respiração e não segui uma rotina elaborada. Simplesmente fiquei ali.

E, quando penso naquela noite, percebo que talvez eu estivesse precisando justamente disso. Depois de tantos dias dividindo a atenção entre trabalho, maternidade, casamento, casa e todas as coisas que fazem parte da rotina, eu tinha encontrado um momento em que não precisava fazer absolutamente nada e nem me sentir culpada por isso. Nem mesmo escolher o que assistir.

Não sei se foi o cansaço, o silêncio do quarto ou o som familiar dos dois conversando e rindo. Acho que tenha sido tudo isso junto.

Mas sei que, naquela noite, não senti falta do celular. Fiquei pensando em quantas vezes procuramos alguma coisa para fazer quando, na verdade, só precisássemos de um tempo sem precisar fazer nada.

Descanso do corpo e mente

E depois que a gente percebe, faz o quê?

Na edição passada, falei sobre a relação entre o uso das telas antes de dormir e a qualidade do sono.

Recebi mensagens muito legais de pessoas que leram, se identificaram e compartilharam suas próprias experiências. Fiquei feliz em saber que aquela conversa fez sentido para tanta gente.

Mas, depois de receber essas mensagens, fiquei pensando: e agora?

Você leu a newsletter, percebeu que talvez o celular esteja ocupando um espaço maior do que gostaria na sua rotina noturna, identificou alguns hábitos que poderiam mudar… E o que fez com essa informação?

Experimentou alguma coisa diferente durante a semana? Deixou o celular um pouco mais longe da cama? Tentou dormir sem ficar conferindo as mensagens até o último minuto?  Reservou alguns minutos para desacelerar?

Ou simplesmente leu, concordou, fechou o e-mail e continuou como antes?

Não estou perguntando isso para cobrar ninguém. Eu mesma já fiz isso muitas vezes. Li um livro, ouvi uma explicação interessante, assisti a uma aula, reconheci que precisava mudar alguma coisa e… deixei para depois.

É muito mais fácil acumular informações sobre o que deveríamos fazer do que realmente encontrar espaço na rotina para experimentar uma mudança e, não é porque não sabemos o que fazer.

Às vezes, sabemos o que precisamos mudar. O difícil é sair do automático.

Porque a vida continua acontecendo. As tarefas continuam esperando, os filhos precisam de atenção, o trabalho não desaparece e, quando chega a noite, estamos cansados.

E é justamente nesse cansaço que voltamos aos hábitos conhecidos: pegamos o celular, abrimos as redes, procuramos alguma distração. Mesmo sabendo que provavelmente aquilo não seja exatamente o que precisamos naquele momento.

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E o presente que deixei para você?

Quando você entrou no Universo Wi-Fi da Alma, recebeu um e-mail de boas-vindas com um presente meu: o Checklist Anti-Telas. Você chegou a abrir o arquivo? Olhou as sugestões? Escolheu alguma para experimentar?

Ou ele continua guardado em algum lugar do seu e-mail, esperando aquele dia em que você terá tempo para olhar com calma? Se ainda não abriu, aproveite para procurar o presente que enviei.

Não precisa fazer tudo de uma vez. Nem transformar o checklist em mais uma lista de obrigações. Escolha apenas uma coisa que faça sentido para você e experimente.

Pode ser deixar o celular fora da mesa durante uma refeição, reservar um momento do dia sem telas ou simplesmente prestar mais atenção ao que acontece quando você pega o aparelho sem saber exatamente por quê.

O importante não é cumprir uma lista inteira. É descobrir o que acontece quando você começa a fazer alguma coisa diferente.

Porque a informação, por si só, não muda uma rotina. É quando experimentamos, observamos e ajustamos que começamos a construir outros hábitos.

Talvez você não precise de mais estímulos

Talvez precise de um pouco mais de espaço. Espaço para ficar sozinho sem sentir que precisa preencher cada minuto.

Para perceber o que está sentindo antes de abrir o celular. Para descansar sem transformar esse momento em mais uma tarefa a cumprir.

Para olhar para a própria vida sem compará-la o tempo inteiro com aquilo que aparece na tela. E não precisa começar com grandes mudanças.

Pode começar com aquela meia hora antes de dormir, com um café sem celular, com uma caminhada prestando atenção ao caminho ou com alguns minutos no quarto, ouvindo as pessoas que você ama conversarem na sala.

Foi isso que aconteceu comigo naquela noite de sábado. Eu não tinha planejado uma experiência especial. Só fui para o quarto e, por alguns minutos, não precisei de mais nada.

Talvez ser uma boa companhia para nós mesmos também tenha um pouco a ver com isso: não precisar fugir de cada silêncio, não precisar preencher todo o espaço vazio e aprender, aos poucos, a estar na própria vida.

Se quiser continuar essa conversa…

Se você percebeu que as telas estão ocupando um espaço maior do que gostaria, deixo aqui dois materiais que criei justamente para ajudar nessa reflexão e na prática:

Não são fórmulas mágicas, nem mais duas coisas para você acrescentar à sua lista. São materiais que preparei para ajudar a transformar algumas dessas reflexões em escolhas possíveis no dia a dia.

Agora quero saber de você

Quando está sozinho, você gosta da sua própria companhia?

E me conta uma coisa: depois da nossa última newsletter, você chegou a experimentar alguma mudança na sua rotina antes de dormir?

Responda a este e-mail. Vou adorar conhecer sua experiência.

Com carinho,

Cibele Modesti

Universo Wi-Fi da Alma

Pausa. Presença. Vida.

P.S. Naquela noite, meu marido e meu filho nem souberam que me proporcionaram um dos momentos mais gostosos do meu sábado. Às vezes, as melhores coisas acontecem sem que ninguém perceba.

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