Wi-Fi da Alma - Edição 001
Minha história com a Bienal do Livro começou quando eu tinha 12 anos e de alguma forma, ela me trouxe até aqui.
O ano era 1994. Fui com a minha irmã mais velha à Bienal de São Paulo, que, na época, ocorria no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera.
Pegamos um ônibus e 20 minutos depois, estávamos lá. Minha irmã queria ver o Paulo Coelho. Nós conseguimos!
Naquele momento, não fazia ideia de que aquele encontro também me levaria para os livros dele. Comecei a lê-los.
Tantos anos depois, ainda guardo um pedacinho daquela história na minha estante: recentemente, comprei uma edição de colecionador de O Alquimista.
É curioso pensar nisso. O que começou com a vontade da minha irmã também me marcou.
Mas existe outra lembrança daquela Bienal que eu nem sabia mais onde estava, até poucos dias atrás.
Um pequeno pedaço de papel que atravessa 32 anos

Bilhete guardado + 30 anos
Também conversei com a escritora Márcia Frazão naquela Bienal, e ela escreveu uma dedicatória no caderninho que eu usava na época.
Eu me lembrava de que o bilhete existia, só não sabia onde estava. Procurei por horas e o encontrei.
Após mais de três décadas, lá estava ele.
“Cibele, você é especial. Não se esqueça disso NUNCA!”
Márcia Frazão.
E um número de telefone escrito logo abaixo - que eu nunca liguei.
Fiquei olhando para aquele pedaço de papel por alguns minutos. É muito estranho — e bonito — encontrar uma mensagem que alguém escreveu para você quando você tinha 12 anos.
Naquela época, eu não sabia quem seria nem quais caminhos tomaria. Desconhecia as perdas, os encontros, os trabalhos, os amores, os filhos, as mudanças e os recomeços que me aguardavam.
Certamente, eu não imaginava que, tantos anos depois, estaria escrevendo sobre aquele dia.
Algumas coisas continuam a acontecer mesmo depois de terminarem.
Talvez seja isso o que eu mais gosto nos livros: eles não terminam necessariamente quando fechamos a última página. Às vezes, a história permanece.
Uma frase. Uma personagem. Uma ideia. Um autor. Uma dedicatória. Um bilhete esquecido dentro de um caderno — quem sabe?
Um livro que você leu em determinada fase da vida e que, anos depois, volta para a sua estante. Os livros criam pequenas pontes entre quem fomos e quem estamos nos tornando. E talvez, por isso ainda goste tanto de estar em uma Bienal.
Em 2024, eu voltei com meu filho
Tinha ido em outras edições após 1994, mas desta vez foi mais especial. Eu não era mais a menina que acompanhava a irmã; eu era a mãe com o filho de quase dois anos. E lá estávamos nós dois, apreciando o mundo literário.
Talvez ele não guarde nenhuma lembrança daquele dia —até porque ele dormiu a maior parte do tempo no carrinho rs. Mas eu guardo.
De algum modo, a história deu uma volta. Tinha ido à Bienal pela primeira vez com minha irmã e agora levava meu filho. Espero que ele continue gostando de livros, como faz hoje.
Em 2026, voltei novamente.

Bienal 2026 - Estande Editora Paulus
Mais uma edição, mais livros, mais experiências vividas entre uma visita e outra. Desta vez, eu tinha um propósito e uma proposta diferente: eu fui como escritora, carregando meu livro embaixo do braço. Conheci pessoas, fiz conexões, presenteei desconhecidos e me emocionei com as histórias deles também.
E andei por aqueles espaços pensando em como os livros estiveram presentes em diferentes momentos da minha história.
Não como uma linha reta, mas como pequenas coisas que aparecem, desaparecem, voltam e encontram novos significados. Talvez seja assim que algumas casas também sejam construídas.
A casa que estou construindo
Durante muitos anos, eu escrevi em completo silêncio. Anotava frases, pensamentos, cartas, reflexões e ideias que surgiam e que eu anotava em algum lugar.
Algumas viraram projetos; outras, ficaram guardadas.
Uma delas virou um livro: "Há Vida Fora das Telas".
E agora existe uma casa chamada Universo Wi-Fi da Alma.
Não é uma casa de verdade. Mas, é uma casa que construo com aquilo que gosto, penso, leio, descubro e quero compartilhar.
Uma casa onde cabem livros, histórias, música, filmes, reflexões, memórias, ideias, loucuras e devaneios, quem sabe? E, principalmente, conversas sobre essa vida que continua acontecendo enquanto olhamos para uma tela e depositamos nosso tempo em algo fora da nossa vida real.
Construiremos um cômodo de cada vez, e esta newsletter é uma das portas de entrada.
Entre. A casa está aberta.
Se você chegou até aqui, talvez seja porque também acredita que algo importante acontece além das telas.
Não pretendo transformar isso em mais uma obrigação na sua lista (sei que você já tem muitas).
Quero que este seja um lugar para chegar e ficar; para desacelerar um pouco, pensar, sentir, descobrir, relembrar uma história ou, simplesmente, fazer uma pequena pausa.
A partir de agora, nos encontraremos por aqui aos domingos, às 18h18.
Trarei livros, histórias, descobertas, reflexões e pequenas provocações.
Às vezes, talvez eu conte uma história minha; outras, uma história que encontrei em um livro. E, quem sabe, algumas histórias que ainda nem aconteceram.
Agora, quero saber de você:
Você se lembra do primeiro livro, ou da primeira história que realmente marcou a sua vida?
Responda a este e-mail.
Adorarei conhecer essa história.
“Você é especial. Não se esqueça disso NUNCA!”
Talvez algumas palavras precisem de mais de 30 anos para encontrar o momento certo de voltar para casa.
Com carinho,
Cibele Modesti
Universo Wi-Fi da Alma
Pausa. Presença. Vida.
P.S.
Se você ainda guarda livros antigos, dê uma olhada neles.
Nas dedicatórias, nas páginas marcadas, nos bilhetes esquecidos, nas anotações feitas à mão: às vezes, a história que está guardada ali não é apenas a história do livro.
É a nossa.

